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Comissão Externa – ‘São os Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e tradicionais que preservam o Pantanal’, afirma Rosa Neide

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Representantes de comunidades tradicionais, ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas que vivem no Pantanal participaram nesta quinta-feira (01), de audiência pública virtual da Comissão Externa da Câmara destinada a acompanhar e promover estratégia nacional para enfrentar as queimadas em biomas brasileiros.

A coordenadora da Comissão, deputada federal Professora Rosa Neide (PT-MT) destacou que é missão do colegiado dar voz a todas as populações que vivem no Pantanal. “Na nossa segunda audiência ouvimos cientistas, pesquisadores e profissionais de órgãos ambientais. Nessa terceira audiência ouvimos os povos originários e tradicionais que vivem no Pantanal há centenas de anos”, disse.

Professora Rosa Neide denunciou o que chamou de falsas acusações contra as populações mais vulneráveis do Pantanal. “Não podemos admitir que acusem os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades tradicionais de serem os responsáveis pelos incêndios no Pantanal. Essas populações seculares são guardiãs do Pantanal e dos biomas brasileiros. São elas que verdadeiramente preservam”, afirmou.

Coordenadora da Rede de Comunidades dos Povos Tradicionais do Pantanal, Cláudia de Pinho agradeceu à Comissão Externa pela abertura da fala aos povos do bioma. “Nós vivemos no Pantanal há mais de 300 anos, no entanto somos invisibilizados e agora acusados injustamente pelas queimadas. Como disse a deputada Rosa Neide, nós somos os verdadeiros guardiões do bioma e os que mais sofrem devido a esse desastre, que não foi provocado pelo nosso povo”, afirmou.

Cláudia de Pinho cobrou investigação e punição aos verdadeiros responsáveis pelos incêndios no Pantanal. “Queremos que sejam punidos porque muitos moradores de nossas comunidades perderam tudo, devido a esses incêndios, outros perderam suas roças. Então, além da punição aos causadores desse fogo precisamos que o governo haja imediatamente no apoio ao nosso povo, na recuperação de nossas comunidades”, disse.

Liderança do povo indígena Guató e membro da Federação dos Povos Indígenas do Estado de Mato Grosso (FEPOIMT), Eliana Xulapalo informou que o Pantanal de Mato Grosso é habitado pelos Guató e pelos Bororo. “Mais de 80% das Terras Indígenas desses dois povos foi consumida pelo fogo. Precisamos de apoio imediato para garantia da segurança alimentar, precisamos de assistência médica e recursos para reconstrução de nossas terras”, disse.

Eliana Xulapalo cobrou ainda a recuperação das nascentes dos rios do Pantanal e a instalação de brigadas permanentes no bioma. “A cabeceira do rio Paraguai está desmatada. Precisamos salvar os rios do pantanal. Também precisamos de brigadas permanentes de combate a incêndios, planejamento e ações de preservação para que essa tragédia não se repita”, disse.

Representante dos povos quilombolas de Poconé (MT) e membro da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), João Moisés Bispo destacou que além dos incêndios o Pantanal é vítima dos agrotóxicos, lixo e garimpo. “Nossos peixes estão contaminados com mercúrio dos garimpos do entorno de Poconé. Para onde vai o lixo das pousadas do Pantanal?”, questionou. Ele ainda disse que todas as 43 comunidades quilombolas do município foram impactadas pelo fogo.

O líder indígena do povo Terena do município de Aquidauana (MS), Valdevino Cardoso citou que os moradores de sua comunidade estão há meses respirando fumaça. “Se não bastasse a Covid-19 agora estamos tendo problemas respiratórios por causa da fumaça das queimadas”, disse. Ele afirmou que o projeto do governo federal é de destruição do meio ambiente. “Se não barrarmos agora essa marcha da destruição, o desmatamento e as queimadas vão aumentar”, disse.

Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do município de Barão de Melgaço (MT), Alex Catarino destacou que o município atua é o mais atingido, atualmente, pelos incêndios no Pantanal de Mato Grosso. Ele destacou que além do fogo, o município já estava sofrendo com a seca. “Noventa e sete porcento de Barão de Melgaço fica alagado no período da cheia. Este ano ficou tudo seco. Precisamos recuperar urgentemente as nascentes dos rios do Pantanal e rever a questão do desmatamento e do aquecimento global porque as chuvas estão escassas, o tempo está muito seco e a temperatura está acima dos 40ºC”. Ele também pediu plano de recuperação dos empreendimentos rurais e sítios que foram queimados no município.

Também palestrante na audiência o pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Danilo Ribeiro apresentou estudo sobre o uso do fogo controlado em comunidades indígenas do Pantanal de Mato Grosso do Sul e rechaçou que os incêndios no bioma tenham sido causados pelos povos originários.

“O fogo é utilizado há centenas de anos pelos povos originários para o manejo da paisagem, para a caça, para prevenir incêndios, e para cozinhar. Os indígenas, os povos tradicionais, os ribeirinhos e quilombolas sabem manejá-lo”, disse. O pesquisador defendeu a regulamentação do uso no fogo no bioma.

Defesa dos povos originários e tradicionais

Para o deputado Nilto Tatto (PT-SP) a Câmara dos Deputados cumpre seu papel de representação de todos os brasileiros e brasileiras ao ouvir os trabalhadores e trabalhadoras do Pantanal. “Toda vez que os incêndios no Pantanal aparecem na Mídia os povos quilombolas, indígenas e ribeirinhos não aparecem. São invizibilizados. Mas nesta Comissão essas populações têm lugar de fala para fazerem suas denúncias e cobrarem soluções para seus problemas”, disse.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) fez coro à deputada Rosa Neide ao afirmar que se trata de calunia grave atribuir a essas populações vulneráveis quaisquer responsabilidades pelos incêndios. “O fogo começou em grandes propriedades cujas áreas já estão identificadas”, afirmou.

Cerrado

O deputado Célio Moura (PT-TO) destacou que na atual conjuntura, a Comissão Externa é a mais importante da Câmara, em função doo alto índice de queimadas no País. “O Tocantins também está com fogo ativo sem nenhuma ação dos governos federal e Estadual. Olhem pelo nosso cerrado que está sendo devastado”, finalizou.

Volney Albano

Assessoria de imprensa

Deputada Federal Professora Rosa Neide

 

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