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Nota pública: educação de Mato Grosso em tempos de coronavírus

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Foto: Fabio Campos

Hoje, domingo, 26 de abril de 2020, estou a refletir a respeito da Pandemia global em função do novo coronavírus, que desarticulou, em um piscar de olhos, o nosso modelo secular de vida. Muitas adaptações os humanos estão a fazer e continuarão fazendo no pós pandemia.Parecia que tínhamos uma zona de conforto, razoavelmente construída, outros milhões de pessoas em busca deste lugar. Em três meses estamos a navegar por águas desconhecidas em busca de outros conceitos, de outras narrativas que deem conta de orientar novamente os passos civilizatórios da humanidade, com certeza não serão os mesmos, esperemos que na dor nos humanizemos mais.

São 39 anos participando das lutas da educação pública de Mato Grosso e passei por inúmeros perrengues, desde ficar acampada na rua para que tivéssemos o estatuto do magistério público, até ficar seis meses sem receber salário. Pensei que tudo de pior já havia acontecido. Em tempos de pandemia, com o chefe da nação se desobrigando de cuidar da saúde da população, vendo o número de mortes crescer diariamente, vendo mais e mais pessoas na invisibilidade, vendo da falta do leito do hospital ao pão de cada dia, chamo atenção para uma das dores do estado de Mato Grosso.

A rede estadual de ensino estava no processo organizacional para iniciar o ano letivo quando explode a pandemia, e na sequência, as orientações para o isolamento social, o estado suspendeu as aulas, e também a contratação dos profissionais que já estavam selecionados para iniciar os trabalhos.Neste domingo, desde as cinco da manhã, estou a ler as mensagens que ainda não havia conseguido lê-las, choro, dor, também exemplos. de solidariedade… enfim, os profissionais que eu pensava não ver mais faltar alimentação, estão a mercê do apoio dos companheiros e companheiras para que o pão de cada dia chegue ás mesas.

Já está a findar o mês de abril, por que o estado ainda não organizou o seu quadro profissional, e está a trabalhar para garantir o ensinar e o aprender aos estudantes da rede em Mato Grosso? Se não estão diretamente em sala de aula porque não estão em formação, em salas virtuais, com os profissionais dos CEFAPROS, organizando formas diferenciadas de aprendizagens? ou com profissionais da UNEMAT construindo itinerários formativos com disciplinas para uma pós-graduação? Tenho participado de inúmeras reuniões nacionais, uma das notas de maior referência é a do TCE -MT, quero inclusive parabenizar ao Sr presidente Dr Guilherme Maluf, que orienta a não suspensão de contrato dos professores, assim como, a nota da AMM-MT, na pessoa do seu presidente,Sr Neurilan Fraga, que orienta a manutenção dos contratos.

Temos feito todo o esforço no parlamento para que Estados e Municípios sejam apoiados, infelizmente não tem à frente da nação, um gestor responsável, ficando Estados e municípios a mercê das iniciativas individuais. O projeto de lei (PL 149/2019) o Plano Mansueto, foi votado na Câmara para garantir o ICMS dos estados e o ISS dos municípios, mas infelizmente o governo ainda não encaminhou o novo texto com o Senado para as devidas garantias.

Sei que a Secretaria de Educação de Mato Grosso alega falta de saídas legais para manter os profissionais contratados, há que se encaminhar ao Ministério Público um parecer demonstrando que trabalho de professor não se realizada apenas com os estudantes, que todo o planejamento do ano letivo, pode ser feito agora, e virtualmente, além do MP, com o reconhecido respeito, chamo a presença do Dr Francisco de Assis, competente procurador geral do estado, assim como, toda a comprometida e capacitada procuradoria, cabeças brilhantes que sabem orientar o caminho. Há uma turma matriculada para cada professor, há o processo inicial de formação que pode ser online, o que falta para o contrato?

Chamo também a presença, a AL-MT, na pessoa do professor de matemática, presidente da AL, deputado Eduardo Botelho, que conheci em sala de aula, assim como, os demais 22 deputados e uma deputada, que nomino nas pessoas do professor de biologia Valdir Barranco- presidente da Comissão de Educação e do Dr Lúdio, meus parceiros de luta com os quais converso todos os dias sobre as condições da educação no estado.

Aproveito para abraçar virtualmente, e neste momento com o rosto banhado em lágrimas, a todos e todas que fazem da educação o seu legado de vida, aqui nomino o professor Valdeir, presidente do SINTEP-MT, que não tem medido esforços para, junto com a categoria, apoiar aqueles e aquelas em já faltam o alimento em suas mesas.

Já falei inúmeras vezes e volto a falar com o governador de MT, Sr Mauro Mendes, a quem tenho muito respeito, entendendo a solidão dos governadores, sei que o Sr não quer professores/professoras cabisbaixos, humilhados, desanimados, oprimidos… em frente as crianças, adolescentes e jovens de Mato Grosso. Pergunto então, é justo que um grupo de profissionais de cada cidade bata as portas do comércio para pedir alimentos para os colegas não contratados, que poderiam estar em processo de formação e ajudando a esclarecer a sociedade em tempo de pandemia?

Juntemos forças, nos encorajemos, Executivo, Legislativo, Judiciário… profissionais da educação fazem parte de um trabalho essencial, não podemos jogar na sarjeta quem pode semear esperança e vida nova em nossa sociedade.

Deputada Professora Rosa Neide (PT-MT)

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