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Após vitória de Lira, Rosa Neide diz que Ministério foi leiloado por Bolsonaro

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Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Deputada de oposição avaliou cenário após saída de Rodrigo Maia da presidência da Câmara dos Deputados.

Deputada federal por Mato Grosso, Professora Rosa Neide (PT) afirmou nesta terça-feira (02.02) que a vitória de Arthur Lira para a presidência da Câmara dos Deputados se deu após forte pressão do Palácio do Planalto, mediante ofertas de cargos e emendas. O deputado ganhou com 302 votos, mais que o dobro dos votos de Baleia Rossi (145). Lira recebeu apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no entanto, Rosa Neide avalia que as votações não devem sofrem interferência do presidente.

Ao PNB Online, a deputada fez uma avaliação do cenário na Casa e disse que temas urgentes estarão em pauta na próxima semana, como a prorrogação do Auxílio Emergencial por mais seis meses e a continuidade do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.

Segundo a deputada, o bloco do PT irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar o fato de Lira ter anulado a votação para os demais cargos da Mesa Diretora por julgar ilegal a inscrição do PT após o horário limite. Ela afirma que a agremiação fez a inscrição do bloco às 11h50, no entanto, o sistema da Casa travou e apenas às 12h06 foi liberado. “Já pedimos perícia”, disse.

Confira os principais trechos da entrevista:

PNB Online – Como avalia a vitória do Arthur Lira?

Rosa Neide – É um momento em que o Congresso recebeu uma forte pressão do Palácio do Planalto, com muitos benefícios de cargos, emendas e já estava desenhado e eu não vi como surpresa o número de votantes.

Tem muita coisa e a gente vai aguardar agora. A gente já viu órgãos muito importantes como o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que é um dos gestores de recursos do Ministério da Educação, sendo negociado. O próprio Ministério da Educação já está colocado à disposição. Esses são os acertos que estamos escutando, mas vamos aguardar os próximos dias para ver qual é o comportamento do Governo.

PNB Online – Ele teve o apoio do Bolsonaro, assim como Rodrigo Pacheco, no Senado. Acredita que essas vitórias fortalecem o Governo, nesse momento de desgaste com 62 pedidos de impeachment?

Rosa Neide – No Senado, eu acho que o senador Rodrigo é uma pessoa muito bem equilibrada e ele tratou a eleição dele sentando com diversos grupos, tanto da situação como oposição. Então, talvez ele fará uma gestão com bastante equilíbrio. Já na Câmara, eu vejo que o apoio ao presidente Bolsonaro depende das ações políticas dele e das medidas econômicas que ele não fez até agora porque teve atitude. Na medida que a população está muito fragilizada sem esse auxílio emergencial, com número crescente de desemprego e essa questão da crescente insatisfação é o que direciona. O que equilibra é o próprio governo. Acredito que o apoio nas duas Casas, para eleição da Mesa, é uma coisa, mas para votações é outra. Os interesses são outros. Cada um avalia os projetos, se organiza, e a partir de agora é outra dinâmica.

O bloco que se opôs já está reunido. Vamos ao STF até porque tem comprovação que o sistema travou na hora, não houve atraso por irresponsabilidade, houve reunião dos líderes ontem à tarde e o deputado Arthur Lira estava presente. Todos concordaram em tocar a eleição e o nome de todo mundo foi para a chapa. Se houvesse que ter tomado alguma atitude, teria que ter sido antes da eleição, mas depois de toda concordância ele toma aquela atitude. É uma situação que vai ter bastante problema.

PNB Online – Sobre os cargos da Mesa Diretora, como avalia a questão de anulação. Concorda em judicializar no STF?

Rosa Neide – O último partido a registrar foi o PT, e era 11h50, mas nesse momento o sistema travou e quando liberou foi 12h06. Já está sendo pedido perícia na máquina para registrar esse travamento e todas as atitudes jurídicas serão tomadas hoje.

PNB Online – Quais medidas devem ser tomadas em relação às reformas tributária e administrativa, Auxílio Emergencial, bem como o Pronampe?

Rosa Neide – São temas que estão paralisados na Câmara, mas o mais urgente é o Auxílio Emergencial. O povo não pode ficar com fome. A população que precisa, que está desempregada, tem que ter acesso. Esse, inclusive, é um tema que o Arthur Lira se comprometeu e esperamos que ele mantenha. A gente já se colocou à disposição para essa votação. O que está sendo debatido é a continuidade dos R$ 600 até julho, mais seis meses. Mas tudo isso pode sofrer um acordo, no entanto, não pode acabar esse auxílio às famílias.

Pronampe, provavelmente entra na pauta na próxima semana, porque as comissões não estavam funcionando e está sendo estudada uma forma de funcionamento híbrido da Casa. A gente, por exemplo, fazer as discussões presenciais e votar de forma remota, alternando as comissões. São pautas que têm urgência e que esperamos a formação da nova Mesa.

Ana Adélia Jácomo/PNB Online

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